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22/08/2010

Obesidade Mental

Me chamam de estranho quando me pegam lendo algo do Dostoievski, ou quando falo que ouço ópera. Quando ligo o meu Jazz, perguntam; “como é que você consegue ouvir isso?” Se você gosta de ler essa blog, talvez você goste dos mesmos assuntos, então, já se deparou com essas situações, ainda mais se moram em uma cidade pequena.

Os valores foram invertidos. Obesidade Mental. Esse era o assunto de um email que eu recebi na última semana. O termo Obesidade Mental foi colocado – de forma inteligentíssima pelo Antropólogo Andrew Oitke em seu livro Mental Obesity.

Compreende-se que o excesso de gordura física causa prejuízos ao organismo humano. Os abusos no campo das informações também causam dano, mas ao cérebro. Nas palavras do antropólogo: “A nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicadas de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em esteriótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna “fast food” intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hambúrgueres do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.”.

“O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.” Diz ele.

Para Andrew, a imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir e manipular. “O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto. Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.

É só uma questão de obesidade. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento e progresso, é só uma questão de dieta mental.


Por Neanderthal

11/08/2010

Aos leitores:

Um novo período se inicia em nossa vida acadêmica, e mais uma vez ficamos em falta com nossos leitores. Mas prometemos recompensá-los com um post mindblowin', em breve...
Obrigado.

24/07/2010

Dança Húngara No. 2



Então qual é a sua intenção?
Minha intenção é ter a intenção de te dizer minha intenção.
Não faz sentido algum ter uma intenção dessas.
Claro que não SE você tiver perguntado sobre uma intenção querendo um sentido, intenção nada tem a ver com sentido.
Ora essa, não vejo porque não.
Não vê? Que pena eu não poder ver pra você.
Mas pode ver pra você e a partir daí me ajudar a entender
Realmente... você fez um ponto ai meu caro.
E então?
E então que sentido nada tem a ver com intenção
Vá direto ao ponto.
O ponto é simples:
Buscar sentido em uma intenção é o mesmo que tentar transformar o canto dos pássaros em equação.
Ainda não entendo.
Não entende porque tenta entender.
Claro, pois esse é o caminho...
Você sabe qual é o caminho para quantificar a sombra das folhas?
Hummm... o caminho dos átomos?
Não sei, é?
Eu que te pergunto.
É verdade, você que me pergunta.
E você que não me responde.
É verdade, eu que não te respondo.
Por que?
Porque não há resposta, ao menos não no meu bolso.
No fim acho que não aprendemos nada...
Finais não tem nada a ver com aprendizado.
Vai começar outra vez...
Não, pelo contrario, vai é acabar.
Como você pode saber?
Como, eu não sei, só sei que sei, e essas coisas simplesmente sabemos, nem mais nem menos.
“Simplesmente” nada é “simplesmente” quando se trata das gentes.
Finalmente! Só agora é que você me entende!
Ora essa, não disse agora pouco que nos finais nada se aprende?
“Aprende” entende? E não “entende”.
Mas um está relacionado ao outro.
Nem tudo que rima se relaciona.
É verdade, mas nesse caso sim, e você disse.
Foi você que disse primeiro.
Mas você reforçou!
Fiz isso mesmo?
Fez isso mesmo.
Então me desculpe, não era minha intenção.
Então qual é a sua intenção?
(Ad infinitum)

23/07/2010

Sabonete não! Assim como Conversas

  Gosto das pessoas! Não de conversar com elas. Mas de poder vê-las em suas respectivas relações e atividades do cotidiano. Muitas vezes são cômicas, e outras, deveras dramáticas.
  Hoje pela manhã, acordei bem cedo. Escovei os dentes, coloquei uma roupa de fim de semana, - mas ainda é quarta-feira, desci os seis andares do prédio em que moro, e subi a ladeira até um café que existe aqui perto. Pedi um chocolate quente. O balconista me ofereceu creme, para colocar, mas eu recusei. O creme que eles usam tem gosto de sabonete. Eu não gosto de sabonetes. Eles são ruins para minha pele. As pessoas dizem que não, mas eu sei que são ruins para minha pele. Prefiro apenas jogar água pelo corpo, mas sabonete não!
  Estava ali por perto uma mulher muito bonita de rosto, mas seu corpo parecia frio aos meus olhos, eu realmente não senti nenhuma excitação ao olhá-la. Mas seu rosto me chamava muito a atenção. Eu gostaria de falar com ela, mas não fui. Sempre tenho vontade de falar com as pessoas, mas depois que puxo uma conversa, eu me arrependo, e arranjo uma forma de me livrar do sujeito. Até agora não sei por que seu rosto me chamava a atenção, só sei que peguei meu chocolate, virei para o balcão e comecei a beber. O garçom puxou uma conversa comigo. Olhei bem dentro de seus olhos. Levantei-me, e me pus a caminhar a uma outra mesa, e sentei em uma cadeira de forma que eu pudesse ficar de costas para ele. Não me importei com nada do que fiz, e ainda não me importo. Em minhas observações das pessoas, eu posso dizer que já vi coisa bem pior, afinal, o que há de errado em ignorar as pessoas?Muitos gostariam de ter a coragem de ignorar as pessoas, acontece que TODOS têm vontade, mas poucos realmente agem da forma que pensam.
  Chega ao café uma mulher loira e alta. Eu gostei de seus quadris. Ela perscruta com seus olhos por todo o estabelecimento e acha a mesa da “fulaninha” que comentei, e se dirige para lá.
  Começam as apresentações, e com elas, minhas observações. Ouço:
-Parabéns... Seu aniversário foi ontem não?
  Não sei por que as pessoas dizem parabéns para a as outras em aniversários. Você se encontra naturalmente mais velho, e é algo que você não pode controlar. E não é nada de mais, apenas um processo. Parabéns se dá a uma pessoa quando ela realiza algo fora do ordinário, é uma congratulação. Sinto um profundo ódio quando alguém me parabeniza pelo aniversário.
-Eu tenho que te contar algo muito importante...
-O que foi? O que é, fale logo, o que tem tanta importância assim?
Nessa parte eu atentei mais ainda para suas palavras, estava quase pulando da mesa para saber o que ela iria dizer.
-Nossa menina... Vou te contar, não sei o que fazer em relação ao Pedro! Ele fica me ignorando e achando que isso de alguma forma vai me fazer ir pra cama com ele. Coitado dele, mal sabe ele que sou diferente de TODAS as outras! TODAS! Não sou “qualquerumazinha” que fica doida se um cara não liga pra ela 3 dias depois do primeiro encontro...Mas poxa, já são 5 dias! Ai menina... Será que ele vai ligar?
  Depois deste depoimento, eu fiquei realmente pasmado. Não sabia o que fazer.
  Como algo assim, uma coisa tão frívola pode ganhar tanta importância para alguém?
  Eu senti um profundo nojo de tudo isso! Lembrei-me de todas as merdas que pessoas como essa garota dos quadris, falaram para mim, no mesmo tom de importância e confidência. Esse nojo rapidamente se tornou ódio e raiva, e procurei por algo que eu pudesse utilizar com tremenda violência com a mulher. A única coisa que encontrei foi o meu chocolate quente, que eu peguei, segurei pelo cabo da caneca, me levantei e me dirigi hasta el punto. Olhei bem dentro de seus olhos com um olhar: “vai se foder sua vadia, você não tem razão”. Joguei o líquido em seu rosto, e quebrei a caneca em cima da mesa. Pena que o liquido não estava mais tão quente assim. Achei que estivesse. Não estava.
Elas ficaram com uma cara de muito assustadas. A que eu achei que possuía um rosto interessante pulou da cadeira. Mas no fim, percebi que ela tinha esboçado um sorriso mínimo e rápido.
  As pessoas me olharam como se eu estivesse muito drogado. Hipócritas. Na maioria das vezes elas querem também fazer o que eu fiz nesse momento. Mas preferem manter a pose. Se as pessoas não gostassem de manter a pose, e houvesse mais reações como a minha, eu duvido muito que o mundo estaria assim como está hoje. As pessoas pensariam mais no outro primeiro, em vez de falarem merdas fodas que culminam em reações como a minha.
  Apenas olhei nos olhos de todos enquanto ela pestanejava atrás de mim, e depois disso, me retirei e fui para casa. Agora estou aqui, me lembrando disso tudo, e escrevendo esse conto, e colocando nesse blog.


Por Neanderthal